Educação Financeira

Dinâmica e diferenças entre mini contratos e contratos cheios

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Na bolsa de valores, o mercado futuro é um ambiente diferente do mercado a termo à vista — aqueles nos quais se negociam ações e outros ativos em tempo real. No mercado futuro, as operações se dão entre contratos que preveem uma data futura.

Operar no mercado futuro traz algumas vantagens, como a possibilidade de proteção para investidores de longo prazo e oportunidades de ganhos (inclusive, com auxílio da alavancagem) para especuladores. Contudo, é preciso entender as diferenças entre mini contratos e contratos cheios para fazer suas operações.

Saber diferenciar estes dois tipos de contratos é fundamental para decidir como negociar na bolsa. Então, confira a seguir mais informações sobre as características, a dinâmica e as principais diferenças entre mini contratos e contratos cheio.

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O mercado futuro

Inicialmente, vale a pena falar sobre a existência do mercado futuro. Afinal, como surgiu a ideia de negociar contratos com datas futuras em vez de comprar ou vender os próprios ativos diretamente?

O mercado futuro é antigo e apareceu como uma alternativa para produtores rurais. Antes mesmo da existência de uma bolsa de valores organizada para realizar as negociações, já havia acordos futuros entre produtores e comerciantes de commodities.

Essa foi a solução encontrada para promover proteção ao meio rural, já que produtores tinham muitos gastos e conviviam com a insegurança de não ter garantias de como seriam as vendas quando a colheita chegasse.

Então, começou a existir uma negociação de compromissos: os produtores combinavam com um comprador a venda das mercadorias no futuro. Assim, quando a data da colheita chegasse, eles sabiam que aquele contrato negociado lhe daria o necessário para cobrir os custos e lucrar.

A evolução dos mercados fez surgir as bolsas de valores organizadas e levou as negociações futuras a acontecer com mediação destas bolsas. Os contratos passaram a ser padronizados e surgiu também a possibilidade de os negociadores repassarem seus contratos futuros para outros.

Atualmente, o mercado futuro no Brasil acontece por mediação da B3, a bolsa de valores brasileira. Além de servir como hedge para produtores, a oportunidade de repassar contratos com liquidez na bolsa desperta o interesse de muitos especuladores, que buscam ganhos no curto prazo.

Contratos cheios

A organização dos contratos futuros se dá a partir de padrões. Assim, quem deseja adquirir contratos de uma commodity específica (como soja, boi, etc), por exemplo, compra alguns lotes com uma quantidade padrão — que são os contratos cheios.

Vale destacar que o desenvolvimento do mercado futuro trouxe diversas novas oportunidades. Além de commodities, passaram a ser negociados também índices e moedas. Logo, é possível estabelecer contratos futuros, por exemplo, de dólar, do índice Ibovespa ou do índice S&P 500.

Com isso, os contratos futuros cheios são os contratos padrões com os quais se negociam derivativos visando uma data futura. Em geral, os lotes padrão envolvem volumes mais altos de dinheiro. Normalmente, são negociados um mínimo de 5 lotes por contrato.

Assim, podemos dizer que os contratos cheios não são acessíveis à maioria dos investidores ou especuladores. Eles costumam ser negociados por empresas, grandes produtores e investidores de maior capital, já que envolvem um elevado custo.

Mini contratos

Como você viu, os contratos futuros são negociados por lotes padrão. Mas quais seriam então as diferenças entre mini contratos e contratos cheios?

Os mini contratos, como o nome sugere, são frações do lote. Assim como o mercado fracionário de ações, os mini contratos surgiram na bolsa de valores para tornar o mercado futuro mais acessível aos investidores menores.

Por isso, desde sua criação, em 2001, investidores do mercado brasileiro com menor capital também conseguem negociar contratos no mercado futuro.

Uma vez que os mini contratos exigem a movimentação de menos dinheiro para as operações, eles apresentam maior liquidez na bolsa. Tais características fazem com que os mini contratos sejam atrativos para especuladores.

Funcionamento do mercado futuro

Agora que você já conhece as diferenças dos mini contratos e dos contratos cheio, é interessante descobrir algumas especificidades do mercado futuro. Afinal, é preciso saber o funcionamento dele para decidir como realizar suas operações.

Veja os principais pontos a seguir e entenda melhor a dinâmica dos mini contratos e contratos cheios:

Margem de garantia

Uma das grandes vantagens do mercado futuro para realização de trades é que não é preciso desembolsar os valores para pagar pela movimentação de contratos e mini contratos. As negociações são feitas com alavancagem.

Para adquirir os contratos, só é preciso ter a margem de garantia estabelecida (que representa uma fração do valor de compra dos derivativos). Além disso, a garantia não precisa ser dada em dinheiro – podem ser oferecidos ativos como títulos de renda fixa ou ações.

Ajuste diário

O mercado futuro funciona de maneira diferente do mercado a termo ou à vista, onde se negociam ações e outros ativos. Uma das diferenças marcantes está no fato de o seu ganho ou prejuízo não se dar apenas na liquidação da posição.

Na verdade, os contratos futuros apresentam ajustes diários. Significa que, todos os dias, a bolsa calcula as oscilações em relação ao dia anterior e paga seus ganhos ou cobra suas perdas. Isso acontece mesmo que a data especificada no contrato futuro não tenha chegado.

Negociações no home broker

O mercado futuro faz parte da renda variável e as operações de compra e venda também se dão no home broker das corretoras de valores ou bancos de investimentos. Elas acontecem por meio de códigos que representam os derivativos.

Conheça alguns deles:

Boi GordoBGI
MilhoCCM
DólarDOL
MinidólarWDO
Índice BovespaIND
Mini-índice BovespaWIN
Índice S&P 500ISP

Além das letras que representam o derivativo, o código inclui ainda uma letra que indica o mês de vencimento do contrato e dois números que representam o ano. Conheça as letras e os meses correspondentes a elas:

JaneiroF
FevereiroG
MarçoH
AbrilJ
MaioK
JunhoM
JulhoN
AgostoQ
SetembroU
OutubroV
NovembroX
DezembroZ

Sendo assim, por exemplo, o investidor que deseja negociar um contrato de milho com vencimento em setembro de 2020 deve procurar o ticker CCMU20 no home broker. Simples, não é mesmo? O mesmo vale para outros contratos do mercado futuro.

Conclusão

Neste post, lhe mostramos as diferenças entre mini contratos e contratos cheio no mercado futuro. Além disso, você conheceu algumas informações básicas sobre o funcionamento deste mercado e as possibilidades que ele apresenta para quem deseja realizar trades.

Então, que tal aproveitar o que explicamos e analisar se o mercado futuro é uma oportunidade interessante para você? Afinal, saber mais sobre como ele funciona – e a dinâmica e diferenças entre mini contratos e contratos cheios – é essencial para basear suas decisões.

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Luis Outi

https://investidorindependente.com/

Amante do mercado financeiro. Trabalho no mercado financeiro desde 2008, especializado no mercado de renda variável e de derivativos, também conhecido como opções.